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1 de novembro de 2026 · 7 min de leitura · Por Paulo Larraín

O Som como Sistema: Por Que as Marcas Globais Constroem sua Identidade a Partir do Áudio

Emirates, Mastercard e Etihad não deixaram que o som da sua marca fosse acidental. Elas o construíram como sistema. Esta é a lição que todo negócio pode aplicar.

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Mixagem de áudio em estúdio com luzes coloridas e equalizador na tela

Quando o Som Deixa de Ser Acaso

Há uma pergunta que poucas marcas fazem a sério: o seu negócio soa igual em todos os pontos onde o cliente encontra você? Na entrada do local, no telefone de espera, no vídeo que você publicou ontem, no ambiente da sala enquanto o cliente aguarda o pedido. Para a grande maioria, a resposta é não. O som da sua marca é acidental. Uma playlist aleatória aqui, um jingle genérico ali. E isso, em 2025, é uma oportunidade de diferenciação que está sendo desperdiçada.

As marcas que entenderam isso primeiro não são pequenas. São Emirates, Mastercard, Etihad. Suas decisões sonoras funcionam há mais de uma década como arquitetura de marca — e o que elas construíram traz lições diretas para qualquer negócio com um espaço físico e clientes a fidelizar.

Emirates: Uma Melodia que Construiu uma Cidade

(cite index="27-1,27-2">A identidade sonora da Emirates se manifesta em mais de 20 minutos de música instrumental, tudo construído a partir de um único tema de 30 segundos conhecido como o "Emirates Tune". Não é um jingle de campanha. É um sistema.

(cite index="19-6">A Emirates incorpora elementos de estilos nativos americanos, indianos, europeus e de bossa nova em sua icônica música de embarque, criando uma identidade sonora que encarna sua rede mundial. Essa decisão não foi estética — foi estratégica. A melodia precisava comunicar alcance global, luxo acessível e uma promessa de experiência antes mesmo de o passageiro sentar em seu assento.

O resultado foi algo que poucos times de marca anteciparam: (cite index="21-1,21-2">a música de embarque da Emirates se tornou uma marca sonora para Dubai, uma ferramenta de construção de marca aplicada online e na mídia em todos os países onde a companhia aérea opera. (cite index="19-11,19-12,19-13">A música de embarque é mais do que ruído de fundo — é uma parte cuidadosamente elaborada da identidade de uma companhia aérea, uma paisagem sonora que permanece na memória muito depois de o voo terminar. A melodia certa define o ambiente e pode evocar um senso de lugar, lembrando sutilmente os viajantes onde estão ou para onde vão.

A lição não é "faça música bonita". É que um sistema sonoro coerente tem a capacidade de representar não só uma marca, mas um destino inteiro. O mesmo se aplica em escala local: a música do seu espaço comunica onde você está posicionado antes que a sua equipe diga uma única palavra.

Etihad: O DNA Sonoro como Promessa de Marca

A Etihad foi ainda mais longe. (cite index="22-3">A companhia aérea se associou à Sixième Son para desenvolver a identidade sonora mais ambiciosa e robusta que uma companhia aérea já criou. O conceito dessa identidade não nasceu de uma preferência musical — nasceu da cultura.

(cite index="22-7,22-8">A música é inspirada no método de tecelagem tradicional Al Sadu, um artesanato emblemático dos Emirados. Ao sobrepor múltiplos instrumentos tradicionais com texturas orgânicas e eletrônicas, a música sugere inovação, abertura para o mundo e compromisso com um futuro melhor.

O que torna este caso uma referência é a implementação. (cite index="25-5">Os passageiros e stakeholders da Etihad ouvem dezenas de faixas de música sob medida, todas construídas a partir de um mesmo DNA sonoro, seja a bordo das aeronaves, nos lounges, em eventos, ao ligar para o contact center, no rádio ou no conteúdo de marca. É isso que distingue uma identidade sonora de uma playlist: a consistência em cada touchpoint onde o cliente vive a marca.

(cite index="34-4">Um estudo em pontos de venda constatou que as percepções positivas de marca aumentaram 14% entre os consumidores que vivenciaram uma experiência de branding sensorial, em comparação com aqueles que não a vivenciaram. O som não é decoração. É infraestrutura de percepção.

Mastercard: O Som como Sistema Global Flexível

A Mastercard oferece talvez o caso mais completo de um sistema sonoro construído para escalar. (cite index="30-5">A empresa realizou dois anos de pesquisa sobre como sua marca poderia ser traduzida para o universo do áudio, trabalhando com artistas, compositores, musicólogos e agências.

O resultado não foi um jingle. Foi o que sua equipe chamou de "arquitetura de som integral". (cite index="32-5">O centro da marca sonora da Mastercard é o logo sônico: uma melodia única que toca quando os clientes interagem com a marca online ou na loja por meio de sons de ponto de venda. (cite index="30-9">Existem versões cinematográficas, operísticas e localizadas — pensadas para cidades como Bogotá ou Mumbai.

Essa é a dimensão mais relevante para marcas no LATAM: a identidade sonora pode e deve ter versões locais. Não se trata de impor um som global uniforme, mas de construir um DNA sonoro robusto o suficiente para se adaptar a mercados e culturas sem perder coerência. (cite index="35-7,35-8">A identidade sonora holística da Mastercard é flexível e adaptável às necessidades de suas equipes em todo o mundo, projetada para ressoar globalmente e ser relevante localmente, considerando diferentes plataformas e ambientes.

O que a Ciência Diz sobre o Som em Espaços Comerciais

Além dos grandes casos de marca, a pesquisa sobre comportamento do consumidor em espaços físicos é contundente. (cite index="9-3">Segundo pesquisas da Universidade de Leicester, a música influencia as decisões de compra em até 30%.

(cite index="14-3">Estudos de campo em varejo, restauração e hospitalidade mostram consistentemente aumentos no tempo de permanência de entre 15% e 40% atribuíveis a intervenções de design atmosférico, dependendo da qualidade do ambiente existente e da congruência alcançada entre os canais sensoriais ativos.

Em restaurantes especificamente, (cite index="17-5,17-8">um estudo de Ronald Milliman constatou que a música em andamento lento aumentou o tempo na mesa em quase 25% em comparação com música em andamento rápido, e que essa mesma música mais lenta elevou as vendas gerais, principalmente porque os comensais permaneciam mais tempo e continuavam fazendo pedidos.

E há um achado particularmente relevante para hotéis e negócios de hospitalidade: (cite index="1-2,1-3">os resultados de estudos experimentais indicam que o uso de sonic branding aumenta as tendências de engajamento com uma marca hoteleira, com os viajantes a negócios demonstrando atitudes mais favoráveis e maiores tendências de engajamento quando uma marca sonora é utilizada.

(cite index="10-4,10-5">A proporção de consumidores que afirmou que a ambientação influencia seus gastos mais que dobrou em um ano. Além disso, a ambientação impacta agora as experiências de hospitalidade, com 52% relatando que ambientes com boa atmosfera aumentam seu prazer em restaurantes, hotéis e lounges.

Do Referente Global ao Seu Espaço: Três Perguntas de Diagnóstico

Emirates, Etihad e Mastercard são marcas de outro orçamento. Mas a lógica por trás de suas decisões sonoras não escala apenas com dinheiro — escala com intenção. Antes de definir o que toca no seu negócio, vale responder três perguntas concretas:

  • Há coerência? A música que toca no seu local é consistente com o que comunica o seu visual, o seu serviço e o seu preço? (cite index="13-8,13-9">A música ambiente deve estar alinhada à marca, não ser genérica. A congruência entre o soundtrack e a identidade do espaço leva a maior tempo de permanência e maiores vendas.
  • Há intencionalidade por horário? A mesma playlist ao meio-dia e às 21h não cumpre a mesma função. O som deve acompanhar o ritmo do negócio e do cliente que o habita em cada faixa de horário.
  • O seu som se repete em todos os seus pontos de contato? Se um cliente ouve algo no seu local e depois acessa o seu Instagram ou liga por telefone e encontra outra estética sonora, a identidade se fragmenta. A força do sonic branding está na repetição consistente.

Nesse cruzamento — coerência, intenção e consistência — está a diferença entre uma marca que soa e uma marca que simplesmente tem música de fundo.

O Som como Decisão Estratégica, Não como Detalhe de Ambientação

(cite index="7-2,7-3">2025 foi o ano em que o sonic branding deixou de ser um toque final. As marcas que passaram a última década discutindo cores de logo e tipografias começaram a levar o som a sério como ferramenta estratégica.

Isso não é uma tendência passageira. É o reconhecimento de que (cite index="8-2,8-3">o sonic branding — a expressão sonora da identidade de uma marca — é o equivalente em áudio do logotipo de uma marca, e que houve uma transição do "giro visual" para o "giro sônico". Os espaços físicos são o território onde essa transição tem o maior impacto direto sobre o comportamento do cliente.

Na Mystify Radio trabalhamos exatamente nessa interseção: a que existe entre o que uma marca quer comunicar e o que o cliente sente quando cruza a porta. Construir isso não exige o orçamento de uma companhia aérea global — exige a mesma clareza estratégica que levou a Etihad a perguntar o que um passageiro deveria sentir ao ouvir sua música de embarque, e trabalhar a partir dessa resposta.

O som da sua marca já está tomando decisões. A pergunta é se foi você quem as tomou.

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PL
Paulo Larraín

CEO e fundador da Mystify Radio. Curador musical para +100 casas na LATAM. Especialista em audio branding e identidade sonora.

Sobre Paulo
Perguntas frequentes

O que as pessoas nos perguntam

O que é sonic branding e por que ele é considerado estratégico para marcas em 2025?

Sonic branding é a expressão sonora da identidade de uma marca, descrito no artigo como o equivalente em áudio de um logotipo. Em 2025, o tema deixou de ser um detalhe de ambientação e passou a ser tratado como ferramenta estratégica, marcando uma transição do chamado giro visual para o giro sônico. Marcas globais como Emirates, Mastercard e Etihad já constroem seus sistemas sonoros há mais de uma década com essa lógica.

Como a Mastercard construiu sua identidade sonora e o que a torna adaptável a diferentes mercados?

A Mastercard realizou dois anos de pesquisa trabalhando com artistas, compositores, musicólogos e agências para traduzir sua marca para o universo do áudio. O resultado foi uma arquitetura de som integral cujo centro é um logo sônico que toca quando clientes interagem com a marca online ou em loja. Existem versões cinematográficas, operísticas e localizadas, pensadas para cidades como Bogotá ou Mumbai, o que a torna globalmente coerente e localmente relevante.

Que impacto comprovado a música tem sobre o comportamento do consumidor em espaços físicos?

Pesquisas da Universidade de Leicester indicam que a música influencia decisões de compra em até 30%. Estudos de campo em varejo, restauração e hospitalidade mostram aumentos no tempo de permanência entre 15% e 40% atribuíveis ao design atmosférico. Um estudo de Ronald Milliman constatou ainda que música em andamento lento aumentou o tempo na mesa em quase 25% e elevou as vendas gerais em restaurantes.

O que diferencia uma identidade sonora de uma simples playlist de fundo?

Segundo o artigo, a diferença está na consistência em cada ponto de contato onde o cliente vive a marca. No caso da Etihad, passageiros e stakeholders ouvem dezenas de faixas construídas a partir de um mesmo DNA sonoro, seja a bordo, nos lounges, em eventos, no contact center ou no rádio. Uma playlist aleatória não possui esse fio condutor estratégico, fragmentando a percepção da marca a cada canal diferente.

Como a Etihad usou a cultura local para desenvolver sua identidade sonora?

A Etihad se associou à agência Sixième Son para criar o que o artigo descreve como a identidade sonora mais ambiciosa e robusta já desenvolvida por uma companhia aérea. O conceito foi inspirado no método de tecelagem tradicional Al Sadu, artesanato emblemático dos Emirados. Ao sobrepor instrumentos tradicionais com texturas orgânicas e eletrônicas, a música busca sugerir inovação, abertura para o mundo e compromisso com um futuro melhor.

Quais perguntas um negócio deve responder antes de definir sua estratégia sonora?

O artigo propõe três perguntas de diagnóstico: se há coerência entre a música e a identidade visual, o serviço e o preço do negócio; se há intencionalidade por horário, já que a mesma playlist ao meio-dia e às 21h não cumpre a mesma função; e se o som se repete de forma consistente em todos os pontos de contato, como o espaço físico, as redes sociais e o atendimento telefônico. A força do sonic branding, segundo o texto, está exatamente na repetição consistente.

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